Em um movimento estratégico para impulsionar a infraestrutura no Nordeste brasileiro, o conglomerado português Mota-Engil está em fase final de tratativas com o governo federal para adquirir um conjunto de ativos estratégicos na Bahia, incluindo uma ferrovia, um porto e uma mina de minério de ferro. Esses projetos, que demandam investimentos na casa dos R$ 15 bilhões, foram deixados de lado pela mineradora Vale após negociações infrutíferas nos últimos anos.

Os ativos em questão pertencem atualmente à Bamin, empresa controlada pelo grupo cazaque Eurasian Resources Group (ERG), que enfrentou falência e paralisou as obras sem perspectivas de retomada. A ferrovia Fiol 1, com 537 km de extensão ligando Caetité a Ilhéus, está 75% concluída, mas completamente parada. Já o Porto Sul, em Ilhéus, recebeu cerca de R$ 723 milhões em aportes iniciais, mas segue sem avanços significativos, com atrasos de pelo menos 20 meses em relação à meta original de operação em 2028. A mina de ferro em Caetité, conhecida como Pedra de Ferro, completa o pacote e serve como ponto de partida para exportações via ferrovia e porto.

De acordo com fontes próximas às discussões, o negócio está na etapa de “due diligence”, onde a Mota-Engil avalia aspectos financeiros, jurídicos e operacionais, como investimentos já realizados, dívidas pendentes e possíveis prorrogações nos prazos de concessão. A expectativa é de que o acordo seja selado nas próximas semanas, com uma probabilidade “praticamente certa” de sucesso, conforme relatado por um interlocutor envolvido.

A operação conta com o respaldo da China Communications Construction Company (CCCC), estatal chinesa que detém 32,4% das ações da Mota-Engil e assumirá o financiamento. A empresa portuguesa planeja assumir 100% do controle, sem sócios adicionais, embora o BNDES possa entrar apenas como financiador, sem participação acionária via BNDESPar.

As negociações ganharam impulso após uma reunião reservada em 26 de janeiro no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Casa Civil Rui Costa (natural da Bahia), do líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA), do ministro dos Transportes Renan Filho, do governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT) e do vice-presidente do conselho da Mota-Engil, Manuel António da Mota. Após o encontro, as tratativas foram oficializadas junto ao Ministério dos Transportes, sob cláusulas de confidencialidade.

Historicamente, esses projetos foram oferecidos à Vale entre 2024 e 2025, sob pressão do governo, mas a companhia optou por priorizar investimentos na região de Carajás, no Pará, desinteressando-se pelo minério local. Agora, com a entrada da Mota-Engil, o governo espera destravar um eixo ferroviário de mais de 2.180 km, integrando a Fiol 1 ao projeto Fico-Fiol, que conectará a Bahia a Goiás e Mato Grosso. Essa expansão, orçada em R$ 41,8 bilhões, faz parte de um plano maior de leilões de oito ferrovias até 2027, totalizando R$ 139,7 bilhões em investimentos para escoar grãos e commodities do agronegócio do Centro-Oeste.

O Porto Sul abrange um terminal privado da Bamin (com custo estimado em mais de R$ 8,3 bilhões) e outro público gerido pelo governo baiano (R$ 4,3 bilhões), ambos com licenças ambientais e fundiárias já aprovadas. A revitalização desses empreendimentos não só promete gerar empregos e dinamizar a economia regional, mas também posiciona a Mota-Engil como potencial concorrente no leilão da Fico-Fiol, previsto para agosto, com edital em maio.

Fundada em 1946, a Mota-Engil é uma gigante da construção civil com presença em mais de 200 projetos na África, Europa e América Latina. No Brasil, a empresa recentemente venceu o leilão do túnel Santos-Guarujá (investimento de R$ 6,7 bilhões), participa de um consórcio para obras na Refinaria Duque de Caxias (contrato de R$ 3,7 bilhões) e adquiriu integralmente a construtora mineira ECB.

Procurados, representantes da Mota-Engil, da Casa Civil e do Ministério dos Transportes não comentaram o assunto. Essa aquisição representa um passo crucial no esforço do governo Lula para reativar obras paralisadas e fomentar o desenvolvimento logístico, beneficiando especialmente a exportação de minérios e produtos agrícolas.

Fonte da notícia e imagem: Folha de São Paulo

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